sábado, 27 de fevereiro de 2016

Da fauna autóctone



Durante quatro anos, os portugueses viveram na pele uma pulsão totalitária, que, consciência pesada, uma certa direita tentacular, teima em dizer que vem aí pela mão esquerda do Costa.

A coligação Direita/Extrema Direita ditou uma agenda ideológica neoliberal, através da aprovação de legislação imoral, que condenou à fome e à emigração uma parte significativa da população.

A geração, soi-disant, melhor preparada que já alguma vez este país preparou, emigrou. Foi embora. Foi Produzir riqueza e pagar impostos a quem a aceitou, muitas vezes pela excelência da sua formação e pelos méritos da sua competência.

Entretanto em Belém havia uma jarra.

O mais alto magistrado da nação comportava-se como um objecto inerte, procurando mimetizar a figura paternal do Sebastião de Santa Comba, o Salvador das lavouras deste país fadado à pobreza de espírito e da outra, primando pela ausência.

É, o Cavaco foi um Salazar que não deu certo...

Apenas uns guinchos de umas quantas cagarras ressuscitaram do sono profundo em que parecia jazer, aquele de quem se esperava, não um golpe de asa, que ninguém teve alguma vez disso qualquer ilusão, mas de um gesto que pudesse por termo a uma modalidade do exercício do poder, baseado na imposição, "custe o que custar".

"Ir além da Tróica" foi a expressão que os denunciou. Quem pretende impor mais austeridade do que aquela que é exigida, é porque entende que há um efeito regenerador que a austeridade provoca. E provocou. O farmacêutico errou na dose. Como dizem na Europa, não ligou aos efeitos secundários do medicamento.

Apesar de tudo, cumpriram em toda a linha com as metas estabelecidas. O país, de facto, empobreceu.

A lei fundamental foi vitima de gangbang, tendo sido sucessivas vezes violada sem que daí adviesse qualquer reparo .

Há que dizer com todas as letras que o Presidente da República foi cúmplice de actos verdadeiramente imorais, perpetrados pelo Governo, colocando-se do seu lado, contra a constituição.

Vários foram os orçamentos viabilizados com claras e notórias inconstitucionalidades, das quais o Presidente da República estaria seguramente consciente, mas que o momento mandava que se cagasse na lei, devido aos superiores interesses da nação.

Quando o povo clamou por um árbitro mostrou-se o Dr. Cavaco um emburrista. Foi conivente na tramóia que esta gente sem valor nem valores engendrou.

Durante estes quatro anos tivemos o país sequestrado por esses relvasmarcantónios, maçães, e outros ruminantes da grande manada que pasta, ávida, os prados verdejantes do Orçamento Geral do Estado.

Julgou o Governo da coligação Direita /Extrema Direita estarem reunidas as condições para que,’ à martelada´, fosse imposta a sua agenda ideológica neoliberal, alfa e ómega da sua acção governativa e seu único propósito. E em certa medida conseguiu (aqui sim, houve um 'conseguimento').

Sob a capa protectora da "Troica", Portugal viu a sua economia desfazer-se dos anéis. Vendemos em saldo e à pressa, não pela necessidade, mas pelo ‘ mal’ que representa essa vil entidade chamada Estado.

Sigamos, não o cherne, mas o rasto dos interesses.

Escrutinemos, sem ímpetos justicialistas e com todas as garantias de defesa, aqueles que negociaram, em nosso nome, o desmantelamento da economia nacional.

Afiramos se transita ou não em julgado, as suas reputação e idoneidade. E já agora, se acaso lucraram de modo indevido, não temamos as leis da república, e apliquemo-las.

Ao mesmo tempo, ruiram os mitos inté na banca, vê-de...

O BES, essa entidade bancária de créditos firmados, reputada instituição familiar,  fina estirpe  de cavalheiros cuja ilustração e bom gosto lhes permitia frequentar os salões dourados de certas casas reais europeias,  afinal não passava de um bando de pilha-galinhas, uma família de bêbedos com golpaças e tudo....

Havia também um tal Zeinaldo que até ganhou prémio e comenda,  mas já não me lembro bem... 

terça-feira, 28 de julho de 2015

EVOLUÇÃO


DISCURSO PROFERIDO NA CÂMARA DOS COMUNS
DO PARLAMENTO BRITÂNICO, EM 13 DE MAIO DE 1940.


Primeiro discurso de Winston Churchill na Câmara dos Comuns enquanto primeiro-ministro britânico, em que apresentou uma Moção de Confiança ao Governo que ia dirigir.





«SANGUE, SOFRIMENTO, LÁGRIMAS E SUOR»

Na última sexta-feira à noite recebi de Sua Majestade o encargo de constituir novo Governo. Era evidente desejo do Parlamento e da Nação que este Governo tivesse a mais ampla base possível e que incluísse todos os Partidos. 
Fiz já a parte mais importante desse trabalho.
Formei um gabinete de guerra com cinco membros, que representam, com a Oposição Trabalhista, e os Liberais, a unidade nacional. Era necessário que tudo isto se fizesse num só dia, dada a extrema urgência e gravidade dos acontecimentos. Outros cargos importantes foram providos ontem e apresentarei esta noite ao Rei uma nova lista. Conto concluir amanhã a nomeação dos principais ministros. 
A escolha dos restantes ministros normalmente leva um pouco mais de tempo, mas espero que, quando o Parlamento voltar a reunir-se, essa parte da minha tarefa esteja terminada e a constituição do Governo se encontre completa sob todos os pontos de vista. Entendi ser de interesse público propor que a Câmara fosse convocada para hoje. No final da sessão de hoje, propor-se-á o adiamento dos trabalhos até terça-feira, 21 do corrente, tomando-se as disposições adequadas para que a convocação se faça antes disso, se necessário for. As questões a discutir serão notificadas aos Srs. deputados o mais cedo possível. 
Convido agora a Câmara, pela moção apresentada em meu nome, a registar a sua aprovação das medidas tomadas e a afirmar a sua confiança no novo Governo.
A resolução:
«Esta Câmara saúda a formação de um governo que representa a vontade única e inflexível da Nação de prosseguir a Guerra com a Alemanha até uma conclusão vitoriosa.» 
Formar um Governo de tão vastas e complexas proporções é, já por si, um sério empreendimento, mas devo recordar ainda que estamos na fase preliminar duma das maiores batalhas da história, que fazemos frente ao inimigo em muitos pontos - na Noruega e na Holanda -, e que temos de estar preparados no Mediterrâneo, que a batalha aérea contínua e que temos de proceder nesta ilha a grande número de preparativos. 
Neste momento de crise, espero que me seja perdoado não falar hoje mais extensamente à Câmara. Confio em que os meus amigos, colegas e antigos colegas que são afectados pela reconstrução política se mostrem indulgentes para com a falta de cerimonial com que foi necessário actuar. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor». Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento. 
Perguntam-me qual é a nossa política? Dir-lhes-ei; fazer a guerra no mar, na terra e no ar, com todo o nosso poder e com todas as forças que Deus possa dar-nos; fazer guerra a uma monstruosa tirania, que não tem precedente no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. -; essa a nossa política. 
Perguntam-me qual é o nosso objectivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória – vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos. 
Compreendam bem: não sobreviverá o Império Britânico, não sobreviverá tudo o que o Império Britânico representa, não sobreviverá esse impulso que através  dos tempos tem conduzido o homem para mais altos destinos. 
Mas assumo a minha tarefa com entusiasmo e fé. Tenho a certeza de que a nossa causa não pode perecer entre os homens. Neste momento, sinto-me com direito a reclamar o auxílio de todos, e digo «Unamos as nossas forças e caminhemos juntos».